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Diácono Geraldo Bueno da Silva

10/02/2010

Um depoimento, umas poucas palavras

 

Conheci o Diácono Geraldo Bueno da Silva nos inícios dos anos 70. Estávamos na casa dos 20 anos e foi durante a campanha em que ele e mais alguns de sua idade estavam fazendo para atrair jovens para a Sociedade de São Vicente de Paulo e, a partir de então não mais nos separamos até que, por contingências da vida: casamento, mudanças de bairro, atividades profissionais e participação de outros movimentos da Igreja, principalmente da parte dele que continuou em franca ascensão até chegar ao diaconato, e eu permaneci como membro da SSVP, deixamos de atuar juntos, porém, sem jamais nos apartarmos definitivamente.

Geraldo era extremante ativo, alegre, comunicativo e com grandes sonhos, além de ser um jogador de futsal acima da média entre os seus contemporâneos.

Estudava muito, não só para a construção de sua carreira, como para o seu crescimento espiritual.

Obteve realização profissional, quando após um esforço gigantesco, superando todas as dificuldades inerentes ao processo, conseguiu vencer um concurso público. E, como Fiscal da Receita, foi designado para as fronteiras do Estado São Paulo. Nesse aspecto, um grande legado: o exemplo de luta, determinação, disciplina e superação para atingir os objetivos estabelecidos.

 

Serviço da Igreja

Difícil transformar em rápidas palavras a sua vida no seio da Igreja Católica. Seria necessário um estudo mais profundo, com mais detalhes, algo que não cabe nesse espaço. Mas, vamos lá...

Tornou-se, ainda jovem, o braço direito da paróquia, assumindo a difícil e mágna missão de ser catequista. Antes disso, já fazia as leituras nas missas, para cuja tarefa arrebanhou muitos jovens, inclusive eu. Fui leitor nas missas e catequista por suas mãos, e uma das lembranças mais intensas que tenho dessa época é a admiração que os adolescentes nutriam por ele.

Foi Ministro da Eucaristia, um dos primeiros a ter esse “mandato” na Paróquia de São Judas Tadeu.

Entre os vicentinos foi extraordinário, entendendo e assumindo a missão que o fundador Antonio Frederico Ozanam sempre desejou “unir o mundo numa rede e caridade” e que a SSVP foi criada “por jovens e para os jovens”. Foi um dos maiores incentivadores da juventude e um dos responsáveis pelo “boom” do movimento nos anos 70 e 80, principalmente na região do Jardim Paulista. Sua missão era de destaque: a formação espiritual, pois cuidava de explicar a todos o Evangelho de Jesus e a Doutrina Católica. Foram significativos os retiros espirituais inspirados por ele. Eram retiros intensos, de um dia inteiro, com muitas palestras e pregações...Esses retiros deram consistência moral e religiosa a todos de seu tempo.

Se um dos parâmetros para medir a qualidade e a intensidade dos movimentos católicos é geração de vocações sacerdotais e religiosas, a SSVP está aprovada, dada a quantidade de padres e freiras oriundas de suas fileiras, a partir dos anos 70. E com certeza, há um “toque” do Geraldo Bueno nessas histórias.

Vale lembrar que a SSVP até então era formada em sua grande maioria por adultos e o Geraldo desfrutava de igual aceitação e trânsito com todas as pessoas, de todas as idades.

Ingressou na Renovação Carismática, tornou-se um grande pregador, dos mais requisitados, admirados e respeitados, mas nunca se afastou da SSVP.  Continuou a estudar Ozanam e São Vicente de Paulo, e, quando chamado, falava com veemência e autoridade sobre a vida, a obra e os carismas desses personagens centrais da caridade no mundo moderno.

 

Na família

Um dos eventos mais significativos da nossa relação foi a sua entrada para a minha família, tornando-se namorado, noivo e marido da minha única irmã, Maria Eugênia. Vieram as filhas, Sara, Raquel, Sofia e Julia. Tantas e tantas alegrias advieram dessa nova e maravilhosa família.

Veio o diaconato. Agora passou a pertencer à hierarquia da Igreja... E o Geraldo continuou o mesmo: ativo, alegre e trabalhando ainda mais para construção do Reino de Deus aqui na terra. Passou a estudar grego, principalmente para entender melhor os originais bíblicos, com especial interesse pelas as Cartas de Paulo.

E, o interessante é que nessa altura dos acontecimentos os sobrinhos já estavam na idade de se casarem e a briga agora era ajustar a agenda para que o “Tio” Geraldo presidisse as cerimônias. Ele o fazia com tal amor que os casamentos tinham um detalhe a mais para se tornar inesquecíveis: A SUA FALA. Inesquecível, sim, como foi o casamento de sua filha Sofia em que ele como pai a levou para o altar e como celebrante presidiu a cerimônia, algo que marcou profundamente todos os presentes. Eu estava lá e igualmente fiquei tocado.

E assim foram todos os eventos, pregações, escritos que ele teve parte ao longo de sua existência. Sempre um toque de emoção.

Geraldo Bueno da Silva, católico, pai, esposo, vicentino, carismático, modelo de cristão inserido no mundo real, sem falsas ilusões, mas convicto da possibilidade de um mundo melhor aqui e agora. Um líder, uma vida a ser estudada, um exemplo a ser seguido.

 

José Gonçalves dos Santos

SSVP – SJCampos

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